quinta-feira, 28 de maio de 2009





Comemora-se no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares. A escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "Os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".( Flávio Gomes )





Pela Lei nº10.639 toda instituição de ensino fundamental e médio, pública e particular, deve incluir o assunto Cultura Negra no currículo. Contudo, em muitos lugares, após quatro anos de sua aprovação, a lei é ainda ignorada. Muitas vezes simplesmente por falta de capacitação de professores.
As mudanças não estão ocorrendo apenas na parte estrutural, mas também são sentidas na pele por alunos e professores. Estes, agora, têm de buscar atualizações, cursos de extensão e etc; aqueles, terão que se acostumar a conhecer novas culturas e histórias diferentes das quais estamos expostos todos os dias.





NAS ESCOLAS: MUITA PROPOSTA E POUCA MUDANÇA

No início de seu mandato o presidente Lula aprovou a inclusão do Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de história da África nas escolas públicas e particulares do país. Embora a decisão tenha sido comemorada, alguns pesquisadores ressaltam que existem obstáculos a serem ultrapassados para que a proposta se transforme em realidade. "Em geral, a história dada segue o livro didático e ele é insuficiente para dar conta de uma forma mais ampla e crítica de toda a história", ressalta Vasconcelos. Essa avaliação da historiadora é confirmada pela professora de história Ivanir Maia, da rede estadual paulista. "A maioria dos professores se orienta pelo livro didático para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Nos livros de história, por exemplo, o negro aparece basicamente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid".

Campos destaca que alguns livros didáticos de história têm sido mais generosos ao retratar a "história dos vencidos", mas ressalta que a maioria, inclusive os livros ligados a sua área - a geografia -, continua a veicular os fatos sociais de forma depreciativa, seja referente ao Brasil ou a África. "Encontramos com fartura os elementos de modo civilizatório ocidental como a única verdade que merece maiores considerações", exemplifica. Uma iniciativa importante que ocorreu nesse período foi o controle dos livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), visando evitar a distribuição de livros contendo erros conceituais e representações negativas sobre determinados indivíduos e grupos. Mas, na opinião de Garcia, seria necessário exigir uma maior revisão nessas obras: "os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas".

Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, destaca que, além dos livros didáticos, outro foco importante são as propostas de mudança na formação dos professores. "Foi tímido o trabalho feito pelo MEC nessa direção até o momento", critica a pesquisadora. Na avaliação dela, sem professores bem preparados para abordar temas complexos, como os abordados nos PCNs, "é muito difícil obter sucesso com a alteração curricular e existe uma grande probabilidade de que as escolas não coloquem em prática o que foi proposto". Os baixos salários pagos e as condições de trabalho desanimadoras nas escolas são fatores também destacados pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pelo pequeno envolvimento dos professores com propostas que visam abordar a diversidade étnica e problematizar a questão do negro no Brasil no interior das escolas.





"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais".

DICAS:

A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Se a escola não inclui esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino:

Língua Portuguesa:

- Para mostrar a influência dos falares africanos no Brasil, você pode usar as palavras de origem banta já incorporadas ao nosso vocabulário.

- Leve para sala de aula lendas africanas e histórias que tratem de diversidade.

- Use livros como Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, O Pássaro-da-Chuva, de Kersti Chaplet, e o gibi Zumbi dos Palmares (produzido em 2001 pela Editora Lake é distribuído gratuitamente) para atividades de leitura e escrita.

- Familiares dos alunos afro-descendentes podem ser convidados para contar histórias de sua vida, informações que serão transformadas em texto.

Artes:

- Podem ser trabalhados conceitos de arte abstrata e geometrismo, danças, mitos e adereços e máscaras, relacionando essas produções às manifestações artísticas do continente europeu.

O desafio é não resvalar no preconceito nem cair no encantamento do exótico.

Educação Física:

- Usar o iitop, o mbube-mbube (ou o tigre e o impala) e a mamba, e jogos como o yote e a mancala. Iniciar contando a história do jogo e os valores da cultura africana presentes em cada um.

Língua Estrangeira:

- Mesmo quando o idioma a ser aprendido é o inglês ou o espanhol, é possível inserir a cultura africana e afro-descendente.Uma boa idéia é levar para suas turmas letras de músicas do afro-descendente jamaicano Bob Marley e de outros cantores negros e textos em inglês sobre a vida de lideranças como os americanos Malcom X e Martin Luther King.

Ciências:

- Mencionar a evolução das espécies, esclarecendo que biologicamente todos os seres humanos são parecidos e que as pequenas diferenças físicas não interferem na capacidade intelectual.

História:

- É fundamental fazer a comparação com o modo de vida do negro no nosso país, na época da escravidão, nos quilombos e nos dias de hoje.

Atualidade:

- Miséria, epidemias e guerras civis existem hoje nos diversos países da África.Mas também estão presentes em outros lugares. Usando notícias de jornal e livros, dicutir com as turmas as guerras civis em Angola e em Ruanda, a fome e a epidemia de Aids.

Geografia:

- Localize em mapas os diversos povos que vieram para o Brasil e as riquezas de cada região, principalmente as minas de ouro e diamantes, para a turma entender os motivos da exploração.

- Ao falar sobre os diversos povos, é possível destacar as contribuições de cada um para a economia do Brasil Colônia.

Educação Infantil:

- Pesquisa em jornais e revistas das palavras: Trabalho, escravo, Brasil, Portugal e África.
- Identificação de palavras pesquisadas através de caça-palavras
- Leitura do texto “Zumbi pensava diferente”
- Observação do mapa mundi para localização do Brasil, África, Portugal.
- Decomposição da palavra PALMARES para formação de novas palavras.
- Roda de conserva enfocando a diferença entre o dia 13 de maio e o dia 20 de novembro
- Tentativa de escrita de palavras
- Registro de numerais comparando quantidades
- Exploração do calendário mensal
- Exploração do calendário anual com observação de datas que marcam a história de negro
- Construção de um glossário com palavra de origem africana
- Rodas de conversa enfocando a irmandade dos homens, que todos somos iguais.
- Exposição de ervas presentes principalmente na cultura afro
- Contagem de número de letras das palavras
- Localização identificando distâncias: Perto longe a partir da fala do narrador ao afirmar que os negros cativos vinham de muito longe.
- Pesquisa de gravuras ou fotos que demonstrem atos fraternos entre brancos e negros.
- Audição da música “O conto das três Raças” (Clara Nunes) entre outras.
- Exploração de sons afros: tambor, atabaque, berimbau.
- Ilustração da História Tempo de Escravidão (através de pintura com guache)
- Confecção de fantoches com perfil afro;
- Construção de retrato étnico da turma: produção de mural com fotos e frases que traduzem as características étnicas e culturais das crianças;
- Formação de painel coletivo com personalidades negras que alcançaram a fama;
- Construção de maquete de um quilombo;
- Confecção de chocalhos, atabaque e berimbau.

Literatura: Sugerimos as histórias: O ratinho branco e o grilo sem Asas; Menina bonita do laço de fita e a lenda Negrinho do Pastoreio.

"A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei".

Para saber mais:

- Adquira o Projeto Cultura Negra PPD com mais dicas e sugestões elaboradas por Paty Fonte. Maiores informações e encomendas através do e-mail:
encomendas@projetospedagogicosdinamicos.com

segunda-feira, 25 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

calculo mental

Calculo pensado
Revista Nova Escola Edição 221 | 04/2009

Explorar e compartilhar estratégias de resolução e eleger a mais adequada é uma maneira eficiente de refletir sobre o trabalho com os números

Beatriz Vichessi (bvichessi@abril.com.br), de Maringá, PR
Foto: Kriz Knack
CONTA EFICAZ A turma do Colégio Estadual Adaile Maria Leite ficou craque em procedimentos mentais. Fotos: Kriz Knack

Apresentar contas soltas e colocar meninos e meninas para pensar nas soluções sem usar algoritmos. Esse foi o desafio que Ademir Pereira Junior lançou para uma turma de 5ª série do Colégio Estadual Adaile Maria Leite, em Maringá, a 423 quilômetros de Curitiba. A ideia era levar à sala de aula o que, no dia-a-dia, todo mundo faz quando vai ao mercado, por exemplo. Para ele, essa seria uma forma de revelar o que está escondido nas contas armadas. "Dessa maneira, é possível explicitar as propriedades dos números e das operações e focar o ensino nos procedimentos", explica Priscila Monteiro, coordenadora da formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e formadora do projeto Matemática É D+, da Fundação Victor Civita (FVC).

Conteúdo relacionado

Sequência didática

* Multiplicação mental

Reportagens

* Em vídeo, alunos da 5ª série aprendem a calcular
* A didática de Matemática, os mitos pedagógicos
* Cálculo mental: quanto mais diversos os caminhos, melhor
* Edição especial de Matemática

No início, os alunos estranharam um pouco. Buscavam na memória, em silêncio, os resultados que as operações registradas no quadro-negro pediam. Perceberam que teriam de desenvolver uma maneira particular de calcular. E começaram a fazer isso com a sequência didática organizada por Ademir - que lhe rendeu o troféu de Educador Nota 10 no Prêmio Victor Civita de 2008 (leia quadro abaixo). "A maior qualidade do trabalho dele foi acompanhar os estudantes individualmente", diz Priscila.

A atividade com a garotada paranaense nem de longe se resumiu a fazer contas de cabeça. Muito pelo contrário. O cálculo mental bem feito pede o desenvolvimento de procedimentos, a criação de estratégias e a combinação de ações - como o arredondamento e a decomposição - até que se chegue ao resultado. Ele difere do algoritmo porque não tem passos definidos e regras que determinem sua execução. Também vale lembrar que ele serve não apenas para os números naturais mas também para frações e decimais, conteúdos importantes para o 6º e o 7º ano (leia a sequência didática). Analisando os números envolvidos, é papel do indivíduo eleger o melhor caminho a seguir. Planejar em detalhes as sessões da atividade e impulsionar os alunos a trabalhar como os matemáticos - buscando os melhores caminhos (e mais econômicos), abandonando os que não funcionam - é o jeito para você colocar a ideia em prática.

Traçar percursos para aprender
Foto: Kriz Knack
OLHAR PARTICULAR A atenção individual dispensada a cada aluno foi um dos maiores méritos de Ademir

Foi o desejo de ser professor de Matemática que levou Ademir Pereira Junior e sua família para Maringá. Natural de Ivaiporã, a 384 quilômetros da capital do Paraná, em 1998 ele resolveu se mudar para a cidade planejada a fim de estudar na Universidade Estadual de Maringá. Logo no primeiro ano, começou a lecionar como estagiário de uma escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). "Foi nessa época que tive certeza de que queria seguir a carreira". Hoje, aos 32 anos, é especialista em Educação Matemática e leciona no Colégio Estadual Adaile Maria Leite.

Objetivos O projeto vencedor do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10 começou a ser desenvolvido no início do ano letivo, quando Ademir diagnosticou dificuldades para resolver cálculos numa de suas turmas de 6ª série. "Percebi a deficiência quando propus algumas sessões de cálculo mental e as crianças não sabiam resolver as contas sem os algoritmos. Elas tinham de aprender a desenvolver estratégias próprias", diz. Com o passar do tempo, a turma passou a socializar as ideias que desenvolviam, ajudando os colegas. "Meu propósito era que todos compreendessem o porquê dos resultados obtidos na calculadora e gerados pelos algoritmos e passassem a valorizar uma habilidade que é fundamental para a vida, usada no dia-a-dia", afirma o professor.

Passo-a-passo Depois de propor algumas contas, Ademir deixava os alunos trabalharem e registrava algumas resoluções criadas por eles no quadro. Depois, organizava a socialização, com a troca de ideias e discussões sobre as estratégias, para permitir que todos aprendessem e descobrissem novas maneiras de pensar. Assim, também era aberto o espaço para a reflexão de propriedades matemáticas.

Avaliação Segundo Daniela Padovan, coordenadora pedagógica da prefeitura de São Paulo e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, os registros individuais que os alunos tinham de fazer depois de resolver os cálculos colaboraram para a compreensão de conceitos e, reunidos em portfólio, funcionaram como um instrumento avaliativo para o educador.

Cálculo mental, de memória e algoritmo: eixos diferentes

A IDEIA NO PAPEL Registrar o caminho feito mentalmente é bom para pensar o que existe por trás dos algoritmos. Foto: Kriz Knack. Clique para ampliar

Isso significa que a palavra "mental" não sugere que a conta seja feita "de cabeça": indica a necessidade de elaboração. E, diferentemente do que muitos imaginam, o cálculo mental e o de memória também não são a mesma coisa, embora o primeiro se apoie muitas vezes no segundo para ser realizado. O que sabemos de cor e acessamos rapidamente - como o dobro, a soma de dois números com um único algarismo e os múltiplos de 5 e 10 - é, na verdade, uma condição usada para desenvolver qualquer procedimento, seja ele mental ou de conta armada. Um exemplo concreto: para resolver mentalmente 13 x 25, saber de memória que o dobro de 25 é 50 auxilia na resolução de parte da questão. Vejamos: primeiro, pode-se aplicar a propriedade distributiva (10 x 25 + 3 x 25). Nesse caso, a conta memorizada entra em ação para resolver o segundo cálculo (3 x 25 = 50 + 25), que deve ser somado ao primeiro (10 x 25 = 250) para obter o resultado final (250 + 75 = 325).

Como o repertório memorizado pode ser ampliado com a prática do cálculo mental, é importante apresentar, pouco a pouco, um conjunto de cálculos com números redondos. Algumas atividades favorecem essa elaboração:

Uma tabela, em que na primeira linha de cada coluna estejam diretrizes (somas que resultam 10, 100 e 1.000) e, nos espaços vazios, cálculos como 6 + 4, 30 + 70 e 500 + 500, respectivamente.

Um quadro para registrar cálculos que resultam contas com resultados redondos (como 452 - 52 = 400) ou números pequenos (como 8 - 3 = 5).

As contas a serem exploradas precisam ser escolhidas com critério. Elas devem envolver números favoráveis para que as operações provoquem o desenvolvimento de estratégias que, por sua vez, alavanquem discussões sobre propriedades matemáticas. É vital sempre ter isso em mente, afinal, a atividade não pode ter como objetivo somente a obtenção dos resultados certos. "A riqueza está no caminho percorrido pelos estudantes e nos equívocos cometidos. É isso o que tem de ser explorado", ressalta Priscila.

Contas devem ser apresentadas soltas, sem contextualização

Por exemplo: se um aluno diz que o resultado de 17 x 13 é 51, pois fez 10 x 3 e 3 x 7 e depois finalizou somando 30 a 21, o professor pode colocar o procedimento em discussão. O ideal é a turma perceber que o trabalho está incompleto. Só assim o cálculo mental funciona como uma oportunidade para colocar certas regularidades em ação e reconhecer o valor de cada uma delas como uma ferramenta para facilitar a resolução de problemas ou para validar procedimentos.

Outro detalhe importante é que as contas não só podem como devem ser apresentadas isoladamente, sem contextualização. À primeira vista, isso talvez soe estranho, mas o que se busca com esse tipo de atividade é a discussão dos procedimentos aplicados, o sentido das operações. Então, nada de problematizar, contextualizar com situações cotidianas. "O pensar matemático por si só já é motivador", argumenta Priscila.

O educador também precisa organizar o tempo e a moçada. A atividade pode começar a ser feita individualmente ou em grupos, dependendo do conhecimento das crianças, em uma aula por semana. A turma de Ademir, por exemplo, não estava habituada a realizar contas desvinculadas do algoritmo. Então, a melhor forma de iniciar a sequência didática foi reunir todo mundo. "O trabalho individual permite que todos pensem a sós. É importante porque em dupla acabamos sendo influenciados pelas ideias dos outros, intimidados em oferecer sugestões ou perdidos em meio a tantas opções de caminho a seguir", explica Priscila.

Correção do professor precisa dar pistas para a resolução
Foto: Kriz Knack
VÁRIOS CAMINHOS No quadro, os alunos socializam os diferentes jeitos de pensar para resolver o cálculo

Outro momento essencial é socializar a aprendizagem. "Explique aos colegas como você fez esse cálculo." Com esse pedido simples e eficiente, Ademir dava início a essa etapa. Foi nela que um menino revelou ter entendido "finalmente", segundo as palavras dele mesmo, a regra de "emprestar 1" da subtração. "Para resolver 56 - 49, eu separei 50 e 6, 40 e 9. Daí, percebi que não dá para tirar 9 de 6. Então, peguei emprestado 10 do 50 e somei com 6. Então, ficou 16 - 9, que é igual a 7. E depois, com o 50 que virou 40, fiz 40 - 40, que deu zero."

Ademir destacou-se, ainda, pelo acompanhamento dos registros feitos pelos alunos. Depois de executar os cálculos mentalmente, todos escreviam as estratégias que tinham aplicado. Nos fins de semana, o educador analisava os portfólios de todos, avaliando e comentando os caminhos percorridos. Nesse processo, um cuidado é garantir que seus comentários forneçam pistas para ajudar o estudante a avançar a partir do ponto em que parou, analisando cada etapa do raciocínio apresentado. Suponhamos, por exemplo, que um aluno resolva a conta 23 x 14 aplicando apenas parcialmente a propriedade distributiva (4 x 3 + 4 x 20 = 92), esquecendo-se de multiplicar 23 por 10. "Nesse caso, em vez de simplesmente pedir para o aluno refazer a tarefa, é mais produtivo indicar onde pode estar o erro. Alguns comentários possíveis são ‘confira se o uso da propriedade distributiva está correto’ ou ainda ‘se você sabe que 20 x 10 = 200, reflita se é possível que 23 x 14 tenha uma resultado menor do que isso’", sugere Priscila.

Ao vivenciar todas as etapas percorridas nas sessões semanais - a resolução individual, as trocas em dupla e em grupos maiores, os registros e as intervenções do educador, a turma ganha autonomia para construir regras e analisar os algoritmos. As regras de multiplicação e divisibilidade, por exemplo, terão razão de ser porque serão descobertas e comprovadas durante a resolução de contas. Como mostra o trabalho de Ademir, conquistar conhecimentos desse tipo não é pouca coisa: com essa aquisição, a sistematização da Matemática passa a fazer sentido para os alunos.

Quer saber mais?

CONTATOS
Ademir Pereira Junior
Colégio Estadual Adaile Maria Leite, R. Armando Crippa, 735, 87047-140, Maringá, PR, tel. (44) 3228-5633
Daniela Padovan
Priscila Monteiro

BIBLIOGRAFIA
Didática da Matemática - Reflexões Psicopedagógicas, Cecília Parra e Irma Saiz (orgs.), 258 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 48 reais
Na Vida Dez, na Escola Zero, Terezinha Carraher, David Carraher e Analúcia Schliemann, 184 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 27 reais

INTERNET
Apostilas sobre cálculo mental com números naturais e racionais (em espanhol)

todos

Valorizando o ser por inteiro

Howard Gardner
Foto: Gustavo Lourenção
Foto: Gustavo Lourenção

O psicólogo americano de 56 anos é professor de Cognição e Educação e integrante do Projeto Zero, um grupo de pesquisa em cognição humana mantido pela Universidade de Harvard. Também leciona neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston. Escreveu dezoito livros.

O que ficou
A escola deve valorizar as diferentes habilidades dos alunos e não apenas a lógico-matemática e a lingüística, como é mais comum.

Um alerta
Para que as diversas inteligências sejam desenvolvidas, a criança tem de ser mais que uma mera executora de tarefas. É preciso que ela seja levada a resolver problemas.

Dezoito anos se passaram desde que o livro Estruturas da Mente: Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, foi lançado nos Estados Unidos. Publicado no Brasil em 1994, ele causou um boom. De lá para cá, a teoria do psicólogo americano, que propõe a existência de um espectro de inteligências a comandar a mente humana, suscitou muitos comentários, contrários e favoráveis.

De acordo com Gardner, estas seriam nossas sete inteligências:

• Lógico-matemática: capacidade de realizar operações matemáticas e de analisar problemas com lógica. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade privilegiada.

• Lingüística: habilidade de aprender línguas e de usar a língua falada e escrita para atingir objetivos. Advogados, escritores e locutores a exploram bem.

• Espacial: capacidade de reconhecer e manipular uma situação espacial ampla ou mais restrita. É importante tanto para navegadores como para cirurgiões ou escultores.

• Físico-cinestésica: potencial de usar o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos. Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem dela.

• Interpessoal: capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos e, o mais importante, professores.

• Intrapessoal: capacidade de a pessoa se conhecer, incluindo aí seus desejos, e de usar essas informações para alcançar objetivos pessoais.

• Musical: aptidão na atuação, apreciação e composição de padrões musicais.

Atualmente, Gardner admite a existência de uma oitava inteligência, a naturalista, que seria a capacidade de reconhecer objetos na natureza, e discute outras, a existencial ou espiritual e até mesmo uma moral — sem, no entanto, adicioná-las às sete originais.

Nílson José Machado, professor do Departamento de Metodologia da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), acredita que Gardner não aprofundou seus estudos. "Houve apenas um espraiamento horizontal." Apesar disso, ele reconhece que a discussão em torno da teoria trouxe alertas importantes para quem trabalha com educação. "A escola deve considerar as pessoas inteiras e valorizar outras formas de demonstração de competências além dos tradicionais eixos lingüístico e lógico-matemático", afirma.

Kátia Smole, que defendeu sua dissertação de mestrado sobre o assunto na USP, afirma que é comum o conceito ser empregado indevidamente por várias escolas. "Ter aulas de música não garante aos estudantes desenvolver a inteligência musical", exemplifica. "Para que isso aconteça é necessário que o aluno pense sobre aquilo que faz e esteja em situação de criação ou resolução de problemas."

No Colégio Sidarta, em Cotia, na Grande São Paulo, a teoria de Gardner é a base da proposta pedagógica, criada com a assessoria da Escola do Futuro, da USP. "Atendemos às diferenças individuais e respeitamos as potencialidades dos alunos", diz a diretora Elaine Moura. Lá, os alunos ora estudam juntos, ora nas estações de trabalho (cantos nas salas onde são organizados diferentes recursos pedagógicos). "É importante que o professor favoreça essas múltiplas inteligências. Por isso, todos os estudantes passeiam pelas diferentes estações."

Quer saber mais?

Estruturas da Mente: Teoria das Inteligências Múltiplas, Howard Gardner, 340 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 330-3444, 44 reais

Ensino e Aprendizagem por Meio das Inteligências Múltiplas, Linda Campbell, Bruce Campbell e Dee Dickinson, 308 págs., Ed. Artmed, 39 reais

Inteligências Múltiplas na Sala de Aula, Thomas Armstrong, 192 págs., Ed. Artmed, 27 reais



Uma escola ativa e cooperativa

Célestin Freinet
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Nascido em 1896 em Gars, um vilarejo ao sul da França, o professor primário não chegou a concluir seus estudos na Escola Normal de Nice. Com o início da 1a Guerra, alistou-se e participou dos combates. Em 1920, iniciou a carreira docente, construindo os princípios de sua prática. A educação, a seu ver, deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Faleceu em 1966.

O que ficou
Ninguém avança sozinho em sua aprendizagem. A cooperação é fundamental.

Um alerta
Levar a turma a aulas-passeio não faz do professor um praticante da pedagogia de Freinet. É preciso considerar a realidade em que os alunos estão inseridos.

Jornal escolar, troca de correspondência, cantinhos pedagógicos, trabalho em grupo, aulas-passeio. Práticas atuais, presentes em muitas escolas, elas nada mais são do que idéias defendidas e aplicadas pelo educador Célestin Freinet desde os anos 20 do século passado, na França. "Ele propunha uma mudança da escola, que considerava teórica, desligada da vida", explica Marisa Del Cioppo Elias, professora do Departamento de Tecnologia da Educação da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Sua sala de aula era prazerosa e bastante ativa. O trabalho é o grande motor de sua pedagogia."

As práticas de ensino propostas por Freinet são fruto de suas investigações a respeito da maneira de pensar da criança e de como ela construía o conhecimento. Ele observava muito seus alunos para perceber onde tinha de intervir e como despertar neles a vontade de aprender. O educador compreendia que a aprendizagem se dá pelo tateio experimental. "Quando a criança faz um experimento e dá certo, a tendência é que repita aquele procedimento e vá avançando", descreve Marisa. Mas, de acordo com Freinet, ela não avança sozinha. Tanto é assim, que a cooperação está entre os pontos fundamentais de sua pedagogia.

A interação entre o mestre e o estudante também é essencial para a aprendizagem. O professor consegue essa sintonia levando em consideração o conhecimento das crianças, fruto de seu meio. Para Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do Núcleo Freinet Cidade de São Paulo, estar em contato com a realidade em que vivem os alunos é fundamental. "Professores que levam sua turma a aulas-passeio e organizam sua sala em cantinhos, mas que ignoram aspectos sociais e políticos ao redor da escola, não estão de acordo com o que propunha o educador."

Na Escola Freinet de Natal, as idéias do mestre francês são a essência do projeto pedagógico. "A escola traz o que está fora para dentro e procura dar sentido a todo o trabalho realizado aqui por meio dessa relação de aplicabilidade na vida", afirma Claudia Santa Rosa, fundadora e diretora da instituição até o final do ano passado. Para Freinet, aproximando as crianças dos conhecimentos da comunidade elas podem transformá-los e, assim, modificar a sociedade em que vivem. Esse é um trabalho de cidadania, de democratização do ensino. "Sua pedagogia traz embutida uma preocupação com a formação de um ser social que atua no presente", avalia Claudia.

A Escola Freinet é mantida por uma cooperativa de professores, bem ao gosto do mestre francês, sem ser radical. "Buscamos respaldo em outras teorias, como as de Piaget e Vygotsky", avisa a diretora. "O próprio Freinet dizia que o educador deve ter a sensibilidade de atualizar sua prática e isso, aliás, é o que faz com que ele ainda seja moderno."

Na escola de Natal, as turmas desenvolvem atividades coletivas, em grupo e individuais. "Cada aluno cria seu plano de trabalho, escolhendo entre as possibilidades apresentadas pelo professor", conta. Alguns pesquisam em livros, outros produzem textos, desenham ou pintam nos vários cantinhos da sala. "Nesse momento, há uma relação estreita com a teoria das inteligências múltiplas", destaca Claudia. "No final, todos socializam o que foi produzido."

Com base em procedimentos dessa natureza, fica mais fácil pôr em prática a pedagogia do êxito, defendida pelo educador francês. O sucesso da criança é o produto de seu trabalho que, ao final do dia, é apresentado aos colegas. "Isso eleva a auto-estima da turma", finaliza Marisa.

Quer saber mais?

Célestin Freinet: Uma Pedagogia de Atividade e Cooperação, Marisa Del Cioppo Elias, 108 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 237-5112, 11 reais

Freinet e a Escola do Futuro, Maria de Fátima Morais (org.), 200 págs., Ed. Bagaço, tel. (81) 3441-0132, 20 reais

Freinet, Evolução Histórica e Atualidades, Rosa Maria Whitaker Sampaio, 239 págs., Ed. Scipione, tel. (11) 3277-1788, 24 reais, Internet: www.freinet.com.br



Da experiência nasce o conhecimento

Jean Piaget
Foto: Camera Press
Foto: Camera Press

Nascido na Suíça, em 1896, numa família rica e culta, aos 7 anos já se interessava por estudos científicos. Biólogo de formação, estudou Filosofia e doutorou-se em Ciências Naturais aos 22 anos. Em 1923, lançou A linguagem e o Pensamento na Criança, o primeiro de seus mais de sessenta livros. Faleceu em 1980, na Suíça.

O que ficou
É na relação com o meio que a criança se desenvolve, construindo e reconstruindo suas hipóteses sobre o mundo que a cerca.

Um alerta
O professor deve respeitar o nível de desenvolvimento das crianças. Não se pode ir além de suas capacidades nem deixá-las agir sozinhas.

A teoria do conhecimento, construída por Jean Piaget, não tem intenção pedagógica. Porém, ofereceu aos educadores importantes princípios para orientar sua prática. "Piaget mostra que o sujeito humano estabelece desde o nascimento uma relação de interação com o meio", explica Jean-Marie Dolle, professor emérito da Universidade Lumière-Lyon 2, na França, e especialista na obra piagetiana. "É a relação da criança com o mundo físico e social que promove seu desenvolvimento cognitivo", completa o professor Mário Sérgio Vasconcelos, coordenador do curso de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual Paulista, campus de Assis.

Para Piaget, a forma de raciocinar e de aprender da criança passa por estágios. Por volta dos 2 anos, ela evolui do estágio sensório-motor, em que a ação envolve os órgãos sensoriais e os reflexos neurológicos básicos (como sugar a mamadeira) e o pensamento se dá somente sobre as coisas presentes na ação que desenvolve, para o pré-operatório. "Nessa etapa, a criança se torna capaz de fazer uma coisa e imaginar outra. Ela faz isso, por exemplo, quando brinca de boneca e representa situações vividas em dias anteriores", explica Vasconcelos. Outra progressão se dá por volta dos 7 anos, quando ela passa para o estágio operacional-concreto. Aqui, consegue refletir sobre o inverso das coisas e dos fenômenos e, para concluir um raciocínio, leva em consideração as relações entre os objetos. Percebe que 3 - 1 = 2 porque sabe que 2 + 1 = 3. Finalmente, por volta dos 12 anos, chegamos ao estágio operacional-formal. "O adolescente pode pensar em coisas completamente abstratas, sem necessitar da relação direta com o concreto. Ele compreende conceitos como amor ou democracia."

Essas informações, bem utilizadas, ajudam o professor a melhorar sua prática. "Devemos observar os alunos para tornar os conteúdos pedagógicos proporcionais às suas capacidades", recomenda Dolle. Para Vasconcelos, a criança é um pesquisador em potencial. "Levantando hipóteses sobre o mundo, ela constrói e amplia seu conhecimento." Nesse processo, você, professor, tem papel fundamental. Ser construtivista não é deixar o aluno livre, acreditando que evoluirá sozinho. "O mestre precisa proporcionar um conflito cognitivo para que novos conhecimentos sejam produzidos", endossa Ulisses Araújo, professor do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.

"Uma máxima da teoria piagetiana é que o conhecimento é construído na experiência", afirma Araújo. Isso fica claro quando se estuda a formação da moral na criança, campo a que o pensador suíço se dedicou no início da carreira e no qual Araújo se especializou. "Para Piaget, o que permite a construção da autonomia moral é o estabelecimento da cooperação em vez da coação, e do respeito mútuo no lugar do respeito unilateral", explica Araújo. "Dentro da escola, isso significa democratizar as relações para formar sujeitos autônomos."

Em Salvador, a Escola Municipal Barbosa Romeo tem nessa questão uma das maiores preocupações. De acordo com a coordenadora pedagógica Elisabete Monteiro, além de os professores trabalharem com projetos, o que elimina a simples transmissão de conhecimento, a equipe usa o respeito mútuo como estratégia para integrar os estudantes ao ambiente escolar. Boa parte da clientela vem do Projeto Axé, que atende crianças em situação de risco e com muita dificuldade na aquisição da leitura e da escrita. "Temos um conselho escolar forte e alunos representantes de sala atuantes. O que vai ser trabalhado em sala é discutido coletivamente", explica Elisabete.

Quer saber mais?

A Difusão das Idéias de Piaget no Brasil, Mário Sérgio Vasconcelos, 285 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. (11) 3062-4633, 28 reais

O Juízo Moral na Criança, Jean Piaget,Ed. Summus, 304 págs., tel. (11) 3872-3322, 37,10 reais

Para Compreender Jean Piaget, Jean-Marie Dolle, Ed. Agir, 290 págs., tel. (21) 509-6424, 35 reais



O importante é ler o mundo

Paulo Freire
Foto: Marcelo Nahas
Foto: Marcelo Nahas

Nascido em 1921, no Recife, formou-se advogado em 1959, mas nunca exerceu a profissão. O ensino era sua paixão. Exilado após o golpe militar de 1964, foi para o Chile, onde escreveu Pedagogia do Oprimido (1968), livro que o tornou conhecido mundialmente. Morreu em 1997, em São Paulo, cidade da qual foi secretário de Educação de 1989 a 1991.

O que ficou
É preciso pôr fim à educação bancária, em que o professor deposita em seus alunos os conhecimentos que possui.

Um alerta
A técnica de silabação utilizada por ele em seu método de alfabetização de adultos está ultrapassada, ainda que a idéia de trabalhar com palavras geradoras permaneça bastante atual.

Mais do que um educador, Paulo Freire foi um pensador. Sua obra mais famosa, Pedagogia do Oprimido, dá as linhas da educação popular que desejava. Para ele, não havia educação neutra. O processo educativo seria um ato político, uma ação que resultaria em relação de domínio ou de liberdade entre as pessoas. De um lado, estaria a burguesia e, do outro, os operários. Uma pedagogia que libertasse as pessoas oprimidas deveria passar por um intenso diálogo entre professores e alunos.

Paulo Freire se opunha ao que chamava de educação bancária. "Esse tipo de ensino se caracteriza pela presença de um professor depositante e um aluno depositário da educação", afirma José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, de São Paulo, e professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (MG). "Quem é educado assim tende a tornar-se alienado, incapaz de ler o mundo criticamente."

A formação docente era uma preocupação constante do pesquisador pernambucano. "Ele acreditava que o educador deve se comportar como um provocador de situações, um animador cultural num ambiente em que todos aprendem em comunhão", explica Romão. Segundo o velho mestre, ninguém ensina nada para ninguém e as pessoas não aprendem sozinhas.

Essas e outras idéias de Freire estão hoje em grande evidência no meio educacional. São exemplos o conceito de escola cidadã (que prepara a criança para tomar decisões) e a necessidade de cada escola ter um projeto pedagógico que reconheça a cultura local. A gestão que acaba de se encerrar na Secretaria Municipal de Educação de Betim, em Minas Gerais, bebeu nessa fonte. A então secretária, Ana Maria da Silva Santos, afirma que todos têm voz dentro da escola. "Previmos a democratização da educação, em que a inclusão de todos, não só dos portadores de deficiência, é fator fundamental."

O projeto pedagógico de cada escola de Betim é definido com a participação dos alunos e da comunidade, que escolhem os diretores pelo voto direto. Conselhos pedagógicos discutem currículo, avaliação, conteúdo, calendário e metodologia. Foi criada também a escola de pais, um espaço de formação em que as famílias têm acesso a informações científicas e filosóficas. "Formados, eles podem participar mais ativamente dos fóruns decisórios", justifica Alfredo Johnson Rodriguez, coordenador da Divisão Pedagógica de Betim.

O município mantém ainda um programa de alfabetização de adultos, baseado no "método Paulo Freire", criado no início da década de 60, que tornou o educador conhecido internacionalmente. Até então, os adultos eram alfabetizados pelos mesmos procedimentos adotados com crianças. A mudança tinha como pressuposto a utilização de "palavras geradoras", termos que faziam parte da vida dos alunos. Eles, a seu ver, não deveriam apenas aprender a formar palavras fora de um contexto, mas compreender seu próprio papel na sociedade. O princípio do método permanece atual, apesar de a técnica de silabação em que estava baseado ser totalmente ultrapassada. De acordo com Romão, Freire tinha plena consciência de que era preciso atualizar suas idéias para avançar. "Ele dizia que antes de ensinar uma pessoa a ler as palavras era preciso ensiná-la a ler o mundo. Essa é a essência de suas idéias."

Quer saber mais?

Convite à Leitura de Paulo Freire, Moacir Gadotti, 176 págs., Ed. Scipione, tel. (11) 3277-1788, 22,50 reais

Pedagogia da Esperança — Um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire, 245 págs., Ed. Paz e Terra, tel. (11) 223-6522, 25 reais

Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire, 218 págs., Ed. Paz e Terra, 22 reais. Internet: www.paulofreire.org



Processos internos e influências externas

Lev Vygotsky
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Apesar da vida curta — morreu de tuberculose em 1934, aos 37 anos — o pensador bielo-russo teve uma produção intelectual intensa. Formado em Direito, também fez cursos de Medicina, História e Filosofia. Por motivos políticos, suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60 — no Brasil, só no início da década de 80.

O que ficou
O aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá sobretudo pela interação social.

Um alerta
A idéia de que quanto maior for o aprendizado maior será o desenvolvimento não justifica o ensino enciclopédico. A pessoa só aprende quando as informações fazem sentido para ela.

O indivíduo não nasce pronto nem é cópia do ambiente externo. Em sua evolução intelectual há uma interação constante e ininterrupta entre processos internos e influências do mundo social. Por defender essa idéia, o psicólogo Lev Vygotsky é considerado um visionário. "Ele se posicionou contra as correntes de pensamento que eram aceitas em sua época", explica Teresa Rego, professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), que defendeu suas teses de mestrado e doutorado sobre Vygotsky. O estudioso nascido na Bielo-Rússia se contrapôs ao pensamento inatista, segundo o qual as pessoas já nascem com suas características, como inteligência e estados emocionais, pré-determinados. Da mesma forma, enfrentou o empirismo, corrente que defende que as pessoas nascem como um copo vazio e são formadas de acordo com as experiências às quais são submetidas. "Ele construiu uma terceira via, a sociointeracionista", diz Teresa.

Vygotsky entende que o desenvolvimento é fruto de uma grande influência das experiências do indivíduo. "Mas cada um dá um significado particular a essas vivências. O jeito de cada um aprender o mundo é individual", explica a educadora paulista. Para ele, desenvolvimento e aprendizado estão intimamente ligados: nós só nos desenvolvemos se (e quando) aprendemos. Além disso, o desenvolvimento não depende apenas da maturação, como acreditavam os inatistas. "O ser humano tem o potencial de andar ereto, articular sons, conquistar modos de pensar baseado em conceitos. Mas isso resulta dos aprendizados que tiver ao longo da vida dentro de seu grupo cultural", completa Teresa. "Apesar de ter condições biológicas de falar, uma criança só falará se estiver em contato com uma comunidade de falantes."

A idéia de um maior desenvolvimento quanto maior for o aprendizado suscitou erros de interpretação. "Muitas escolas passaram a difundir um ensino enciclopédico, imaginando que quanto mais conteúdo passassem para os alunos mais eles se desenvolveriam", lembra Teresa. "Para ser assimiladas, no entanto, as informações têm de fazer sentido." Isso se dá quando elas incidem no que o psicólogo chamou de zona de desenvolvimento proximal, a distância entre aquilo que a criança sabe fazer sozinha (o desenvolvimento real) e o que é capaz de realizar com ajuda de alguém mais experiente (o desenvolvimento potencial). Dessa forma, o que é zona de desenvolvimento proximal hoje vira nível de desenvolvimento real amanhã.

O bom ensino, portanto, é o que incide na zona proximal. "Ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador e ir além do que ela pode aprender é ineficaz. O ideal é partir do que ela domina para ampliar seu conhecimento", recomenda Teresa. A Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre baseia sua proposta nessas idéias e nas de Paulo Freire. "Organizamos o ensino com base numa pesquisa socioantropológica feita na comunidade a cada início do ano", conta o secretário José Clovis de Azevedo. Nas falas dos moradores, a cultura do grupo é detectada. "A Matemática, a História, a leitura ou a escrita são ensinadas tomando como ponto de partida as vivências coletivas. Assim, tornam-se significativas para todos os estudantes."

Quer saber mais?

A Linguagem e o Outro no Espaço Escolar: Vygotsky e a Construção do Conhecimento, Ana Luiza Smolka, 180 págs., Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 23 reais

Vygotsky, Aprendizado e Desenvolvimento: Um Processo Sócio-Histórico, Marta Kohl de Oliveira, 111 págs., Ed. Scipione, tel. (11) 3277-1788, 20,30 reais

Vygotsky, uma Perspectiva Histórico-Cultural da Educação, Teresa Rego, 138 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 237-5112, 11 reais
Aprenda com eles e ensine melhor
Conhecer a produção dos grandes pensadores ajuda a aprimorar o trabalho em classe e crescer na profissão

Denise Pellegrini (dpellegrini@abril.com.br)

Quando você observa seus alunos e avalia quanto cada um já sabe antes de introduzir um novo conceito em sala de aula está colocando em prática, mesmo sem se dar conta, as idéias de vários pesquisadores. Muitas atitudes que parecem apenas bom senso foram, ao longo dos anos, objeto de estudo de gente como Emilia Ferreiro, Célestin Freinet, Paulo Freire, Howard Gardner, Jean Piaget e Lev Vygotsky. Apesar de seus trabalhos não coincidirem em muitos aspectos, em outros tantos eles se complementam. "Todos partem do princípio de que é preciso compreender a ação do sujeito no processo de aquisição do conhecimento", sintetiza a pedagoga Maria Tereza Perez Soares, uma das coordenadoras gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de 1ª a 8ª série.

A vida e o trabalho desses seis pensadores foram o tema mais lembrado por nossos leitores em cartas e e-mails enviados à redação como resposta à pergunta: "Qual reportagem você leu em NOVA ESCOLA, não esquece e gostaria de ver republicada?" A resposta está nas próximas páginas. Você vai (re)ver aqui as principais idéias difundidas por eles, com uma novidade: quais são os erros de interpretação mais comuns em nosso país.

Tantos professores estão interessados nos aspectos teóricos da profissão por vários motivos. Em primeiro lugar, por sua atualidade. Todas essas idéias estão reunidas nos PCN. Além disso, já se foi o tempo em que uma corrente de pensamento era eleita a preferida (tal qual moda), enquanto as demais eram simplesmente esquecidas.

Prova disso é o recente sucesso da teoria das inteligências múltiplas, de Gardner. Muito festejada, ela foi adotada por algumas escolas — que não deixaram de lado os ensinamentos em que se baseavam até então. "Ninguém pode se valer de apenas um teórico", acredita Kátia Smole, coordenadora do Mathema, equipe de formação e pesquisa na área de Matemática. "Conhecer os estudiosos da educação e o processo de aprendizagem dos alunos sempre ajuda o professor a refletir sobre sua prática e compreender as políticas públicas", completa Maria Tereza.

A vanguarda na alfabetização

Emilia Ferreiro
Foto: Antônio Vargas
Foto: Antônio Vargas

Psicolingüista argentina, doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget. Inovou ao utilizar a teoria do mestre para investigar um campo que não tinha sido objeto de estudo piagetiano. Aos 62 anos, é pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional, no México.

O que ficou
As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização.

Um alerta
Apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe a você, professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita.

A rede estadual do Ceará mantinha, até 1996, classes de alfabetização. Anteriores ao Ensino Fundamental, elas retinham crianças por anos a fio fora do ensino regular porque não conseguiam aprender a ler e escrever. A rede cearense é hoje organizada em ciclos, o que permite aos alunos se alfabetizar ao longo dos anos. Com uma proposta calcada nas idéias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Paulo Freire, as escolas estaduais cearenses têm, no que se refere especificamente à alfabetização, a psicolingüista argentina Emilia Ferreiro como referência básica. "Respeitamos o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo da leitura e da escrita eles estão", conta Lindalva Pereira Carmo, responsável pela Coordenadoria de Desenvolvimento Técnico e Pedagógico do Estado.

Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, que Emilia escreveu com Ana Teberosky em 1979. A obra, um marco na área, mostra que as crianças não chegam à escola vazias, sem saber nada sobre a língua. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

• pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;

• silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra;

• silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;

• alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

Hoje, o conhecimento sobre esse processo continua avançando. "Analisar que representações sobre a escrita o estudante tem é importante para o professor saber como agir", afirma Telma Weisz, consultora do Ministério da Educação e autora de tese de doutorado orientada por Emilia Ferreiro. "Não é porque o aluno participa de forma direta da construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo", ressalta. Ou seja, cabe a você organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.

"Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita, o trabalho da pesquisadora argentina não dá indicações de como produzir ensino", avisa a educadora Telma. Definitivamente, não existe o "método Emilia Ferreiro", com passos predeterminados, como muitos ainda possam pensar. Os professores têm à disposição uma metodologia de ensino da língua escrita coerente com as mudanças apontadas pela psicolingüista, produzida por educadores de vários países.

"Essa metodologia é estruturada em torno de princípios que organizam a prática do professor", explica Telma. O fato de a criança aprender a ler e escrever lendo e escrevendo, mesmo sem saber fazer isso, é um desses princípios. Nas escolas verdadeiramente construtivistas, os alunos se alfabetizam participando de práticas sociais de leitura e de escrita. A referência de texto para eles não é mais uma cartilha, com frases sem sentido.

No Ceará, por exemplo, os estudantes aprendem a ler em rótulos de produtos, propagandas e bulas de remédio, além de ter à disposição muitos livros. "Com a implantação dos ciclos, os professores de todas as séries passam a ser responsáveis pelo processo de aquisição da leitura e da escrita", completa Lindalva.

Quer saber mais?

A Produção de Notações na Criança, Hermine Sinclair, 184 págs., Ed. Cortez, esgotado, (ver em bibliotecas)

Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 330-3444, 24 reais

Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed, 33 reais

Grandes Pensadores

Aprenda com eles e ensine melhor
Conhecer a produção dos grandes pensadores ajuda a aprimorar o trabalho em classe e crescer na profissão

Denise Pellegrini (dpellegrini@abril.com.br)

Quando você observa seus alunos e avalia quanto cada um já sabe antes de introduzir um novo conceito em sala de aula está colocando em prática, mesmo sem se dar conta, as idéias de vários pesquisadores. Muitas atitudes que parecem apenas bom senso foram, ao longo dos anos, objeto de estudo de gente como Emilia Ferreiro, Célestin Freinet, Paulo Freire, Howard Gardner, Jean Piaget e Lev Vygotsky. Apesar de seus trabalhos não coincidirem em muitos aspectos, em outros tantos eles se complementam. "Todos partem do princípio de que é preciso compreender a ação do sujeito no processo de aquisição do conhecimento", sintetiza a pedagoga Maria Tereza Perez Soares, uma das coordenadoras gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de 1ª a 8ª série.

A vida e o trabalho desses seis pensadores foram o tema mais lembrado por nossos leitores em cartas e e-mails enviados à redação como resposta à pergunta: "Qual reportagem você leu em NOVA ESCOLA, não esquece e gostaria de ver republicada?" A resposta está nas próximas páginas. Você vai (re)ver aqui as principais idéias difundidas por eles, com uma novidade: quais são os erros de interpretação mais comuns em nosso país.

Tantos professores estão interessados nos aspectos teóricos da profissão por vários motivos. Em primeiro lugar, por sua atualidade. Todas essas idéias estão reunidas nos PCN. Além disso, já se foi o tempo em que uma corrente de pensamento era eleita a preferida (tal qual moda), enquanto as demais eram simplesmente esquecidas.

Prova disso é o recente sucesso da teoria das inteligências múltiplas, de Gardner. Muito festejada, ela foi adotada por algumas escolas — que não deixaram de lado os ensinamentos em que se baseavam até então. "Ninguém pode se valer de apenas um teórico", acredita Kátia Smole, coordenadora do Mathema, equipe de formação e pesquisa na área de Matemática. "Conhecer os estudiosos da educação e o processo de aprendizagem dos alunos sempre ajuda o professor a refletir sobre sua prática e compreender as políticas públicas", completa Maria Tereza.

A vanguarda na alfabetização

Emilia Ferreiro
Foto: Antônio Vargas
Foto: Antônio Vargas

Psicolingüista argentina, doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget. Inovou ao utilizar a teoria do mestre para investigar um campo que não tinha sido objeto de estudo piagetiano. Aos 62 anos, é pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional, no México.

O que ficou
As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização.

Um alerta
Apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe a você, professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita.

A rede estadual do Ceará mantinha, até 1996, classes de alfabetização. Anteriores ao Ensino Fundamental, elas retinham crianças por anos a fio fora do ensino regular porque não conseguiam aprender a ler e escrever. A rede cearense é hoje organizada em ciclos, o que permite aos alunos se alfabetizar ao longo dos anos. Com uma proposta calcada nas idéias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Paulo Freire, as escolas estaduais cearenses têm, no que se refere especificamente à alfabetização, a psicolingüista argentina Emilia Ferreiro como referência básica. "Respeitamos o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo da leitura e da escrita eles estão", conta Lindalva Pereira Carmo, responsável pela Coordenadoria de Desenvolvimento Técnico e Pedagógico do Estado.

Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, que Emilia escreveu com Ana Teberosky em 1979. A obra, um marco na área, mostra que as crianças não chegam à escola vazias, sem saber nada sobre a língua. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

• pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;

• silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra;

• silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;

• alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

Hoje, o conhecimento sobre esse processo continua avançando. "Analisar que representações sobre a escrita o estudante tem é importante para o professor saber como agir", afirma Telma Weisz, consultora do Ministério da Educação e autora de tese de doutorado orientada por Emilia Ferreiro. "Não é porque o aluno participa de forma direta da construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo", ressalta. Ou seja, cabe a você organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.

"Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita, o trabalho da pesquisadora argentina não dá indicações de como produzir ensino", avisa a educadora Telma. Definitivamente, não existe o "método Emilia Ferreiro", com passos predeterminados, como muitos ainda possam pensar. Os professores têm à disposição uma metodologia de ensino da língua escrita coerente com as mudanças apontadas pela psicolingüista, produzida por educadores de vários países.

"Essa metodologia é estruturada em torno de princípios que organizam a prática do professor", explica Telma. O fato de a criança aprender a ler e escrever lendo e escrevendo, mesmo sem saber fazer isso, é um desses princípios. Nas escolas verdadeiramente construtivistas, os alunos se alfabetizam participando de práticas sociais de leitura e de escrita. A referência de texto para eles não é mais uma cartilha, com frases sem sentido.

No Ceará, por exemplo, os estudantes aprendem a ler em rótulos de produtos, propagandas e bulas de remédio, além de ter à disposição muitos livros. "Com a implantação dos ciclos, os professores de todas as séries passam a ser responsáveis pelo processo de aquisição da leitura e da escrita", completa Lindalva.

Quer saber mais?

A Produção de Notações na Criança, Hermine Sinclair, 184 págs., Ed. Cortez, esgotado, (ver em bibliotecas)

Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed, tel. (51) 330-3444, 24 reais

Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed, 33 reais

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